A busca pela forma mais bela e harmônica sempre perseguiu o ser humano. No que se refere ao volume mamário, pode-se dizer que, no final do século XIX e durante a primeira metade do século XX, múltiplas tentativas de aumentá-lo foram colocadas em teste: utilização de tecido gorduroso da própria paciente, injeções de parafina, esferas de vidro ou de borracha e até mesmo silicone líquido, foram aplicados para este fim. Todos os experimentos, porém, apresentaram resultados desastrosos.
No entanto, desde sua criação, em 1962, os implantes de silicone sofreram diversas modificações, todas com o objetivo de garantir mais segurança às usuárias.
Atualmente, já em sua quinta geração e completando meio século de história, as próteses mamárias são produzidas com 4 camadas protetoras, bem como preenchidas com silicone de alta viscosidade, o que lhes conferem grande segurança. Desse modo, a chance de rompimento é rara e, mesmo havendo ruptura, o conteúdo de silicone não se espalha pelo organismo, conforme se observa na figura abaixo.
Ademais, durante todo o período de evolução dos implantes de silicone, múltiplos estudos populacionais foram realizados nos Estados Unidos e na Europa, sempre com a finalidade de aprimoramento do produto, sendo que, até o presente momento, nenhum trabalho científico revelou a existência de qualquer relação entre os implantes e o câncer de mama, linfomas, doenças reumatológicas ou doenças auto-imunes. Isso quer dizer que as próteses, desde que reconhecidas e aprovadas pelas agências reguladoras, não representam nocividade à saúde, razão pela qual não há porque temer em aderir ao seu uso.
Contudo, o segredo para um bom resultado envolve um conjunto de medidas a serem observadas pela paciente, dentre as quais: investir em uma prótese de qualidade, respeitar as orientações pós-operatórias informadas pelo meu médico, comparecer às consultas de revisão e sempre procurar cirurgiões plásticos com formação adequada, preferencialmente membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br).
Com essas considerações feitas a respeito da evolução do silicone, é importante esclarecer que, embora o escândalo envolvendo dois fabricantes de próteses mamárias permaneça sendo pauta da mídia, tal fato é isolado e restringe-se a apenas estas marcas de qualidade duvidosa. Portanto, não há motivos para inquietações e insegurança, pois as transformações pelas quais passou o produto foram essenciais para reduzir os riscos, bem como os casos de vazamento e de encapsulamento a índices mínimos, que hoje correspondem a menos de 1%.
Dr André Valiati
Cirurgião Plástico - CREMERS 30344
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
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